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Histórias Extraordinárias - Alienados


O documentário exibido no Histórias Extraordinárias, relata um pouco da história do artista plástico Edgar Koetz que, em 1964, levou-o a um duro golpe psicológico que resultou a 30 dias de internamento na ala patronal do Hospital Psiquiátrico São Pedro. O jornal Última Hora, onde Koetz trabalhava, foi censurado pelos militares radicais. A repressão, que duraria mais de 20 anos, se instalou. Os direitos foram banidos, a censura estava lá para impedir a liberdade de pensamento e de expressão, e isso foi um grande baque para Edgar. Jornalistas foram perseguidos e até mortos. 

Koetz mergulhou em profunda depressão da qual somente saiu ao exercer com vigor a sua arte. Durante sua passagem no Hospital Psiquiátrico, ele desenvolveu um trabalho com os pacientes, retratando a especificidade no olhar de cada um deles. Ele resolveu executar uma série de pinturas a nanquim dos pacientes do Hospital Psiquiátrico onde internaram-no. Tendo sido produzidos 24 desenhos dos pacientes, Edgar faz ali uma obra e ao mesmo tempo um protesto. 

"Durante a Ditadura Militar, o país inteiro estava passando por um período de alienação, devido a censura e a forte repressão. Koetz encontrou ali uma forma de dizer ironicamente que aquelas pessoas eram as consideradas loucas, sendo que, por interesse daquela sociedade, elas eram ditas como tal. Mas que na verdade, não dá totalmente para diferenciar a loucura da sanidade", disse seu filho durante a produção do documentário.

Seu processo criativo foi feito de maneira espontânea, sem rascunhos, borracha ou qualquer tipo de esboço anterior. Eram feitos diretamente sobre o papel, com o pincel embebido na nanquim, o que deixou o seu trabalho com uma aparência mais espontânea, com traços simples. Fora que o desenho tinha um tristeza implícita, expressada por ele no rosto de cada um dos 24 pacientes que retratou. Uma curiosidade é que os 24 desenhos de Edgar Koetz foram em exposição no MARGS em 2004.

Dentre esses pacientes podemos destacar Natália, mulher que foi retratada enquanto jovem por Koetz, e que ainda permanece internada no Hospital Psiquiátrico São Pedro. Por coincidência, Natalia na época da gravação do documentário, tinha uma produção artística própria com desenhos e bordados. 





Arte, voz, pluralidade e loucura

"Não é fácil testemunhar o trágico"

"A arte ajuda a se organizar e viver neste mundo"



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