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Frida Kahlo: seus jornais íntimos



Diário Íntimo


Excertos do "Ensaio" de Sarah Lowe em "O Diário de Frida Kahlo: um auto-retrato íntimo", editado no Brasil pela José Olympio.


Ao longo da história, homens e mulheres têm narrado as suas vidas, marcadas pelo tempo que lhes tocou viver ou por momentos específicos. Em contraste, o tema predominante do “diário íntimo” e, em especial, no Diário de Frida Kahlo, é ela própria. Os motivos da artista nada têm a ver com a comunicação e sim com o intuito de estabelecer uma relação consigo mesma. Assim, o enigma – Para quê escrever, se mais ninguém há de ler o escrito? – deixa parcialmente respondido.

O fato de Frida Kahlo incluir parte da sua obra gráfica no seu diário pessoal converte a este último numa peça quase única entre os “jornais íntimos” dos que se têm conhecimento. Esta coleção de imagens difere do típico caderno de esboços de artista, habitualmente utilizados para guardar traços preliminares de obras posteriores, ou melhor, para pôr em formato reduzido a solução de quadros maiores. Só numa ocasião a pintora transformou um desenho realizado a tinta, incluído no diário, num quadro em grande escala. E diferente dos outros, Frida Kahlo deixa de lado os acontecimentos quotidianos e expressa no seu diário – como Virgínia Woolf – uma marca de sentimentos (e imagens) que não se encontra em mais nenhuma outra parte. Desta maneira, estas páginas deverão ser contempladas com uma certa perplexidade já que o retrato que ela faz de si mesma, neste caso, constitui tanto na cor como nas linhas, a prosa e a poesia – a imagem da artista sem máscara.
Quase todas as ilustrações do Diário foram efetuados de forma espontânea. Para ela são janelas que lhe permitem penetrar no inconsciente, imagens que ela moldava diretamente e, continuamente, elaborava. Depois de garatujar com total liberdade, Frida punha o seu ser racional (ou ao menos, parte dele) mãos à obra, e partindo de sua extensa bagagem de imagens, reais e imaginárias, as figuras biomorfas convertem-se em rostos, partes do corpo humano, animais e paisagens. O seu poço visual era profundo, alimentado por uma voracidade na leitura, hábito que a artista cultivou durante os seus largos períodos de convalescência.
Frida Kahlo escreveu o seu Diário durante os últimos dez anos da sua vida e documentou nele a sua deteriorização física. As feridas registram-se esporadicamente, o que torna difícil estabelecer uma terrível progressão – regressão – à medida que a artista enfrenta a solidão e o terror que lhe produzem as suas enfermidades. (...) O Diário reflete a sua incansável luta na busca de soluções em seu sofrimento, a sua resignação às prescrições dos médicos, assim como o seu freqüente estoicismo ante os contínuos fracassos.

Um comentário:

Balaio Variado disse...

Oi

Parabéns pelo blog!

Abraços

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